Conteúdo retirado do episódio Como Estudar Desenho com Livros? | ALÉM DO TRAÇO
Em uma era dominada por videoaulas, tutoriais rápidos e conteúdos instantâneos nas redes sociais, surge uma pergunta comum entre artistas iniciantes e até intermediários: ainda vale a pena estudar por livros didáticos de desenho?
Essa foi a reflexão central do bate-papo de segunda-feira conduzido por Lucas França, ilustrador, quadrinista, character designer e professor de desenho e pintura.
O encontro, em formato de podcast, teve como objetivo discutir o papel dos livros didáticos na formação artística e como eles se relacionam com os conteúdos digitais que consumimos hoje.
A origem do conhecimento artístico
Grande parte dos cursos online, videoaulas e tutoriais disponíveis atualmente têm uma origem comum: os livros didáticos clássicos de desenho. Autores consagrados estruturaram, décadas atrás, os fundamentos que hoje aparecem “mastigados” em vídeos curtos.
O problema não está no conteúdo digital em si, mas na forma como ele é consumido. Tutoriais rápidos ensinam o que fazer, mas raramente explicam por que funciona. Os livros, por outro lado, apresentam uma linha de raciocínio completa, aprofundada e coerente, permitindo ao artista compreender o fundamento na totalidade.
Referência primária: a base do aprendizado sólido
Um dos conceitos mais importantes discutidos foi a ideia de buscar sempre a “referência da referência”. Quando o artista consome apenas conteúdos derivados (vídeos que resumem outros vídeos, que por sua vez resumem livros ) ele corre o risco de se tornar apenas um reciclador de informação.
Ir direto à fonte fortalece o repertório, evita lacunas conceituais e desenvolve autonomia criativa. O livro didático não substitui a videoaula, mas potencializa o aprendizado quando ambos são usados em conjunto.
Livro físico ou PDF?
A escolha entre livro físico ou digital é pessoal. O mais importante é ter acesso à informação. No entanto, o livro físico oferece uma experiência sensorial diferente: folhear, marcar páginas, revisitar imagens e criar uma relação mais profunda com o conteúdo. Para quem pode investir, essa experiência costuma fazer diferença no processo de aprendizado.
Um retrato preocupante: poucos estudam por livros
Uma pesquisa recente realizada no meu Instagram @lucasfranca.art revelou um dado alarmante:
mais de 60% das pessoas estudam apenas por videoaulas e YouTube, cerca de 30% aprendem “tentando e errando”, e 0% apontaram os livros como principal fonte de estudo.
Esse dado reforça a importância de reintroduzir os livros didáticos no processo de formação artística, especialmente para quem busca evolução consistente.
Livros como formação, não atalhos
Diferente de tutoriais rápidos, um livro didático funciona como um curso completo. Ele apresenta conceitos, explica fundamentos, mostra aplicações, compara soluções e fecha ciclos de aprendizado. Isso vale tanto para desenho, quanto para ilustração, composição, quadrinhos e animação.
Além disso, estudar livros de estilos diferentes — mesmo que não sejam o foco principal do artista — amplia a visão, fortalece fundamentos e evita limitações criativas. Gestual, composição e estrutura, por exemplo, são universais e se aplicam a qualquer linguagem visual.
O valor do estudo contínuo
A live também reforça um ponto essencial: arte é um campo infinito de aprendizado. Não existe “zerar” o desenho. Artistas profissionais continuam estudando, revisando fundamentos, explorando técnicas e dialogando com diferentes estilos ao longo da vida.
Consumir livros, observar grandes mestres, estudar técnicas tradicionais e combinar tudo isso com práticas contemporâneas é o caminho para uma evolução artística sólida e consciente.
Conclusão
Os livros didáticos de desenho não são ultrapassados, eles são a base de tudo o que consumimos hoje em formato digital. Em vez de substituir os vídeos, eles os complementam, aprofundam e fortalecem o aprendizado.
Para quem deseja evoluir de verdade no desenho e na ilustração, o convite é claro: menos pressa, mais profundidade e um bom livro aberto ao lado do sketchbook.
Recomendação de livros:

Como Desenhar Quadrinhos Estilo Marvel – Stan Lee & John Buscema
Um livro leve, mas extremamente poderoso, que ensina fundamentos como gesto, linha de ação e estrutura do corpo, usando o quadrinho como linguagem — mesmo que você não queira desenhar Marvel.
Creative Illustration – Andrew Loomis
Um livro essencial sobre ilustração e composição; praticamente a base de grande parte do que se ensina hoje em cursos, videoaulas e tutoriais de desenho profissional na internet.
Livros de Andrew Loomis (geral)
Os livros do Loomis são a referência da referência: figura humana, cabeça, mãos, cartoon e ilustração explicados de forma clara, didática e profunda, formando uma base sólida para qualquer estilo.
Framed Ink – Marcos Mateu-Mestre
Um livro focado em composição visual, narrativa e leitura de imagem, onde cada página parece uma aula de storytelling aplicada à ilustração, quadrinhos e concept art.
Drawn to Life – Walt Stanchfield
Um compilado de workshops dados dentro da Disney que ensina como dar vida ao desenho, trabalhando gesto, movimento, fluidez e verdade visual — indispensável para ilustradores, quadrinistas e animadores.
E se quiser ver o episódio completo do meu quadro entitulado "Além do Traço" onde discuto temas variados em formato de Podcast, acesse o Link a baixo!
Como Estudar Desenho com Livros? | ALÉM DO TRAÇO
Obrigado!




